Uma viagem circundante
Rodeio a semente, namoro a forma e aguardo, aguardo pelo momento em que presenteio o espírito com a alegria da alma desperta na forma humana.
Sou gente, de carne e osso. Sou alma translúcida. Sou espírito reluzente. Aproximo-me da jornada de retorno. A confluência de todas as folhas numa só árvore, num só colo que acalenta os sonhos do bebé adormecido.
Oscilações constantes, preclitância nesta subida, nauseada fico no desespero que me leva o sossego e afugenta a leveza instalada. Tudo é Uno, valho-me disso. Os pés afundados na lama recordam-me a atracção da terra, ela chama, pede a presença do caminhante. Ergo-me então, na força guerreira latente no corpo frouxo e sugo, sugo o néctar da Mãe para seguir viagem.
Escalo a parede rugosa, uterina, da vida deslumbrante que aspira simplesmente o silêncio…
Voo nas asas da ave que acorda no raiar do fogo imenso que desperta a manhã sonolenta…
Sigo o caminho empedrado cujas rochas empolam o sofrimento da alma que se vê assim separada…
… Decido ir, decido embarcar no navio que me transporta às águas calmas, cristalinas onde, gota por gota, todos nos fundimos no mar de Amor.
Nas águas, todos reunidos formando a flor cujo aroma desperta os sentidos internos. A magia da fusão dá-se pelo acordar da emoção madura, do potencial criativo que trazemos para concretizar a vivência humana, dar o acrescento da partícula que constituímos no Universo inteiro.
É no ventre que acordo, entorpecida da jornada, do caminho. Saí do ventre da minha mãe, entrei no ventre da Grande Mãe, e agora, de novo, aqui estou Una, no feminino que acolhe o masculino, construindo o percurso do filho que SOU.
