Uma viagem circundante



Rodeio a semente, namoro a forma e aguardo, aguardo pelo momento em que presenteio o espírito com a alegria da alma desperta na forma humana.


Sou gente, de carne e osso. Sou alma translúcida. Sou espírito reluzente. Aproximo-me da jornada de retorno. A confluência de todas as folhas numa só árvore, num só colo que acalenta os sonhos do bebé adormecido.


Oscilações constantes, preclitância nesta subida, nauseada fico no desespero que me leva o sossego e afugenta a leveza instalada. Tudo é Uno, valho-me disso. Os pés afundados na lama recordam-me a atracção da terra, ela chama, pede a presença do caminhante. Ergo-me então, na força guerreira latente no corpo frouxo e sugo, sugo o néctar da Mãe para seguir viagem.
Escalo a parede rugosa, uterina, da vida deslumbrante que aspira simplesmente o silêncio…
Voo nas asas da ave que acorda no raiar do fogo imenso que desperta a manhã sonolenta…
Sigo o caminho empedrado cujas rochas empolam o sofrimento da alma que se vê assim separada…
… Decido ir, decido embarcar no navio que me transporta às águas calmas, cristalinas onde, gota por gota, todos nos fundimos no mar de Amor.
Nas águas, todos reunidos formando a flor cujo aroma desperta os sentidos internos. A magia da fusão dá-se pelo acordar da emoção madura, do potencial criativo que trazemos para concretizar a vivência humana, dar o acrescento da partícula que constituímos no Universo inteiro.

É no ventre que lateja a força criativa. Sou criador, artista da alma, moldo a vida, adorno o sentimento supérfluo com a profundidade do espírito vibrante que sinto simplesmente porque aceito o caminho de retorno às minhas próprias entranhas.
É no ventre que acordo, entorpecida da jornada, do caminho. Saí do ventre da minha mãe, entrei no ventre da Grande Mãe, e agora, de novo, aqui estou Una, no feminino que acolhe o masculino, construindo o percurso do filho que SOU.

2011

Ano de Luz dourada!

Vamos acolher a energia de transformação para este ano, abrindo os nossos corações a experiências que se manifestam na garganta liberta dos padrões antigos para a expressão de um novo sentir na Terra.

A atitude é de limpeza, de leveza para aprimorarmos a vivência humana e expandirmos os sentimentos amorosos em cadeia para lá das relações humanas directas. O Planeta apela pela abertura, juntemo-nos à Mãe Gaia nesta jornada com total consciência do nosso propósito nestes tempos.

Dia 13 de Fevereiro no Centro do Coração

Encontrar e instalar o Feminino em nós

Na terra manifestada
Os elementos reunidos
Trazem à matéria
Os anjos descidos
No início, protegidos
Para caminharem descalços
E logo instalados
Nos corações estrelados
Recebem os infinitos
No amor expandido
Crescendo a segurança
Na bolha que tudo envolve
E o ego se dissolve
Para trazer de novo
A Forma Perfeita, a Divindade
Na Fusão, na Unidade

Palavras que resumem o trabalho realizado a 7 de Novembro de 2010


O trabalho assenta na vontade manifesta de reencontrar o caminho que nos leva à Consciência mais profunda. Essa consciência fundamenta-se na integração das energias masculina e feminina que inspiram toda a existência.
Vivemos momentos em que necessitamos de cimentar a energia feminina, quer sejamos mulheres quer sejamos homens. A evolução da humanidade depende desta integração. È na confluência dos pólos opostos que o ser reencontra a plenitude.
Na Era do coração, o estreitar do namoro entre a Terra e o Céu conduzir-nos-á ao preenchimento que despertará a divindade em nós.
As técnicas que utilizaremos vão ao encontro destes pressupostos no sentido de estimular o crescimento , a integração e a ligação ao Eu Superior.


Percorrendo as várias dimensões do feminino através dos exercícios de meditação, relaxamento e outras técnicas expressivas para o clarificar das vontades do Espírito no Aqui e no Agora.

Essa Realização é efectivada pelo estreitar dos laços com a Terra que nos acolhe e alimenta e a fusão com a energia do alto, à qual nos conectamos para ascender no caminho espiritual.

Viagem para mulheres e homens

Dia 7 de Novembro no Centro do Coração

A Deusa em nós

No teu interior
No teu Ventre, no teu útero,
Nas tuas entranhas geladas,
onde escorre a água mais límpida
onde vibra o coração da Terra
Aí,
Eu sinto a Tua presença
que me penetra desde o meu ventre
desde a luz das luzes
Tu resplandeces em mim
Coras o meu rosto
desde o leito de sangue
que sobe raízes acima
Assim te sinto
Tão vibrante, tão enérgica,
tao maternal...
Pois és a Fonte das fontes
o Berço dos berços
Mãe amada
(Pintura de Sofia do Infinito)

Mãe Divina

Sinto a Terra
o seu pulsar
o coração que chama
que pede a presença
a Presença do Espírito
que habita, profundo,
silencioso na noite escura,

Os rios estrelados
que apelam,
que espreitam os sonhos
daquele que dorme
daquele que vibra
daquele que sente
a brisa do vento
a força da Lua

És tu ò Mãe Divina
que acordas dentro de Mim!

O Renascer da Luz

És Tu que me inspiras
Ò Mãe
A fonte de tudo
Que dás de beber
Que regas os campos
Que acalmas os prantos

As raízes que sugam
A força do Centro
Das águas que cresce,
o teu Rebento

Caminho na Terra
Outrora deserta
Viajo nas nuvens
à descoberta
E quando encontro
logo me espanto
pois volto ao Centro,
o mesmo Rebento

que queria nascer
aguardando o Tempo
a vinda da Luz
que está no momento!
Como vivemos a Espiritualidade hoje? Como a integramos nas nossas vidas femininas, atribuladas, quase esquizofrenizantes, em que procuramos ser tudo um pouco e tantas vezes olvidamos quem realmente habita este corpo, aclamado sagrado. A sacralização do feminino tem estado demasiadas vezes ligada à estética corporal e nós, como temos respondido? Que sentimentos nutrimos pelo nosso corpo, pela nossa prestação profissional, pela maternidade?

Que Espiritualidade vivemos nesta vida adornada pelo feminino cujo potencial imenso e o desejo inevitável em provar as suas naturais capacidades nas mais diversas áreas nos fazem ambicionar a perfeição em tanta coisa inútil... e o desgaste contínuo de repetidas vezes abdicarmos de ser nós mesmas?

Como levantar o véu, descobrir novas questões, colocarmo-nos as perguntas correctas de como queremos viver esta vida feminina, como recordar os valores intrínsecos da mulher que é naturalmente espiritual e que pode realizar-se a si mesma, em qualquer circunstância por si seguramente escolhida?

As técnicas que utilizo têm por objectivo trazer as respostas que buscamos para vivermos em consonância com o propósito último, a Realização do Ser.

Os encontros do Feminino e a Realização do Ser propõem um reencontro consigo mesma. Percorremos as diferentes etapas e dimensões do Feminino, fundimos vivências e preenchemos os nossos corações religando-nos à Mãe Terra.

Não fazemos o confronto com o outro, sobretudo o masculino, antes sim a aceitação de que as escolhas são nossas e a realidade criada e recriada por nós, todas as vezes que o queiramos!